Qual é o seu superpoder?

Qual é o seu superpoder?

Ele já foi engraxate e paraquedista. Hoje se dedica a ajudar as pessoas a encontrar a sua pulsão de vida, a força capaz de transformar desejos em realidade

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15 de dezembro de 2015 • Por Luís Fernando Carneiro | Fotos: Patrícia Amancio

A vida, em geral, não facilita para ninguém. Mas para o nosso herói da foto, ela complicou um pouco mais. Nas lembranças mais remotas, José Leopoldo Vieira traz a memória de um pai viciado em jogos. Aos seis anos se viu fugindo com o pai, que, mergulhado em dívidas, abandonou a esposa e levou o menino para viver de canto em canto, tendo que trabalhar e conviver com ambientes de bares e com sucessivas madrastas. Mesmo assim, a lembrança que tem do pai é muito afetiva, pois, apesar de suas dificuldades, ele nunca abandonou o filho. Aos 11 anos, perdeu o pai em função de uma diverticulite, passou a viver na casa de parentes e reencontrou a mãe. Porém, após anos de afastamento, resgatar a relação materna não foi tão simples assim. Já adolescente, deixou a casa da mãe e chegou a dormir alguns dias nas ruas, em Curitiba, ganhando a vida como engraxate, lavador de carro, padeiro, torneiro mecânico, estafeta, entre outros.

O tempo passa. De história em história, vivendo de favores e tendo passado por experiências inimagináveis, como a de ter de dormir por meses em um banheiro de uma escola, Leopoldo construiu seus caminhos até chegar no Exército. Venceu a miopia, a falta de base familiar, viveu muitas vidas numa só e finalmente tornou-se membro da importante Brigada de Paraquedistas das Forças Armadas, no Rio de Janeiro. O ciclo se fecha, surgem novas oportunidades e ele forma-se educador físico e, mais tarde, pedagogo pela Universidade Gama Filho.

Numa dessas amarrações do destino, quando era professor do Instituto Nacional de Educação para Surdos, conheceu a Psicomotricidade Relacional, criada pelo francês André Lapierre. Mergulhou, entregou toda sua energia e seus fantasmas a essa então novidade no país e se tornou o herdeiro afetivo e intelectual de André Lapierre. Nessa época, Leopoldo conheceu a filha de André, Anne Lapierre, de quem viria a ser o principal parceiro de trabalho no Brasil. Leopoldo viu tantas transformações em sua vida e na vida dos outros que decidiu fazer dessa a sua missão.

Hoje, com Mestrado em Educação Especial pela UFRJ, Pós-Graduação em Movimento Humano na Universidade de Boston e um título de Doutor Honoris Causa pela Associação Brasileira de Medicina Psicossomática do Distrito Federal, já formou mais de 1.000 profissionais das áreas de Educação, Saúde e Recursos Humanos em Psicomotricidade Relacional. É muita gente, mas ele destaca que o seu maior prazer é auxiliar as pessoas a contatar com seu desejo e com seu próprio superpoder.

E você, já parou para pensar nisso? Em que ponto está sua própria história? Qual o seu poder?  Inspire-se nesse nosso bate-papo com o Professor José Leopoldo Vieira sobre a sua pulsão de vida e o que tem feito para colocá-la a serviço do seu bem-estar e de quem está próximo a você.

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Qual a maior fraqueza das pessoas atualmente? 

O que percebo é que as pessoas têm uma falta, mas não sabem identificar o que é. Não conseguem mobilizar realmente seu desejo em função de preenchê-la. Ocupam-se com excesso de ter e fazer e, com isso, se esvaziam mais e mais. Quando as pessoas nos procuraram, não sabem muito bem por que vêm. Há um mal-estar geral. Elas têm um trabalho, uma relação de amor, têm os bens materiais, mas continuam com uma insatisfação muito grande e qualquer dificuldade, qualquer tráfego um pouco congestionado, lhes provoca uma angústia, uma ansiedade, um sentimento de que falta algo.

E o que é isso?

Essa falta está ligada ao afeto. As relações deixaram de ser afetivas para estarem focadas no interesse, sempre em torno do que o outro pode proporcionar. Perdeu-se uma parcela significativa de autenticidade e, com isso, a verdadeira relação de amor e de parceria. Mas André Lapierre descobriu há muitos anos que o que a gente sente, na verdade, é a falta no nosso corpo do corpo do outro. Falta uma comunicação verdadeira, um abraço fraterno, o olho no olho.  Por isso a Psicomotricidade Relacional tem como base em suas intervenções a comunicação corporal, uma vez que ela está na gênese da constituição de nossa identidade.

Como se dá essa intervenção corporal na Psicomotricidade Relacional e na Análise Corporal da Relação.

Investimos no resgate das relações primárias da infância.  Em um espaço lúdico, desenvolvido em grupo, priorizamos o jogo espontâneo, pois ele favorece a expressão primária do inconsciente e possibilita que cada um presentifique em suas ações conteúdos inconscientes e significados profundos relacionados à sua personalidade. Assim, as tensões são reduzidas e o sujeito passa a se engajar no processo de investimento na qualidade de sua vida afetiva.

O que por exemplo? 

Por exemplo, uma pessoa pode começar a perceber a forma como lida com sua própria agressividade, que é diferente de violência. A agressividade a que me refiro é um dos componentes da pulsão de vida. Ela nos mobiliza, nos faz aprender, acreditar, lutar, amar, desejar. Mas para alguns a agressividade pode estar reprimida e o sujeito agride a si mesmo. Para outros ela pode estar voltada para fora e a agressão se dirige para o entorno, contra tudo e contra todos. Com os atendimentos, a pessoa contata com a possibilidade de vivenciar e elaborar a sua agressividade dentro dos limites da expressão simbólica para, com isso, investi-la em situações mais construtivas em sua vida. E aí o discurso muda: “eu existo, eu defendo, eu desejo, eu conquisto, eu sou, eu posso”.

O desejo é um ponto importante a ser trabalhado?

Sim, com certeza. As pessoas questionam-se sobre seus desejos, pois estão diante de uma série de interrogações que geram impasses em sua vida:  “O que estou vivendo hoje é em função do meu desejo ou do desejo do outro? O que estou fazendo aqui nessa relação? Qual o sentido do meu trabalho? Será que é o meu desejo?”. Muitas vezes esse desejo se encontra cristalizado e colocá-lo em movimento é fundamental para que se possa investir com mais prazer na vida. O que percebemos é que uma vez que a pessoa encontra as respostas para suas interrogações, há uma mudança de posição diante da vida, ou seja, ela sai do lugar de refém de sua própria história e assume o lugar de sujeito desejante.

Como virar esse jogo? 

Baixando as defesas contata-se com a possibilidade de resgatar o que é seu. A “sua” vida, a “sua” relação, o “seu” sonho. O medo de arriscar levou muita gente a parar de sonhar. Há pessoas que chegam ao ponto de, apesar de insatisfeitas, permanecerem anos num trabalho mesmo sem gostar do que faz, sem gostar das pessoas, do salário. Muita gente entra na famosa zona de conforto porque não consegue assumir o desejo ou nem sabe que desejo é esse e não consegue arriscar. Porque têm medo.

Mas existe um caminho para baixar as defesas? 

Sim, na Psicomotricidade Relacional e na Análise Corporal da Relação fazemos isso por meio de vivências simbólicas mediadas pelo brincar. O jogo espontâneo e livre de julgamentos, que é proposto ao grupo, nos permite revisitar a infância e suas histórias, seus sabores e dissabores para, com isso, ressignificar emoções, sentimentos e memórias primárias.

Investir nos desejos é a fórmula para lidar com os medos?

Sim, afinal quem não tem medos, fantasmas? Quem não tem medo de ser traído, de não ser amado, de não agradar ao outro, de ser rejeitado? Para isso, é necessário assumir algo que se chama desejo. O desejo de ser amado, de existir para o outro, de dar certo na vida. Olha quantos desejos! Assumir o desejo implica mobilizar a pulsão de vida, a agressividade positiva, que nos faz sair da cama, que nos faz sonhar, imaginar, viver o prazer. Eu considero a agressividade uma das coisas mais importantes da nossa vida e falo porque vivi isso na minha própria pele.

Existe um outro lado dessa pulsão? 

A pulsão é um processo dinâmico que impulsiona o sujeito na direção de um objetivo. A pulsão de vida tem um caráter construtivo ao passo que a pulsão de morte, quando voltada para o interior, tende à autodestruição e quando dirigida ao exterior manifesta-se sob a forma de violência ou destruição. Mas as pulsões de vida e de morte atuam de forma simultânea em consonância com o princípio de conservação da vida. Por exemplo, numa depressão profunda o sujeito está sob a atividade da pulsão de morte. Os casos de suicídio têm aumentado drasticamente em Curitiba, ou seja, a pulsão de morte prevalece em relação à pulsão de vida a ponto de a vida perder o sentido.

Você se dedica a potencializar essa pulsão de vida? 

Sim, só ela é capaz de capacitar as pessoas para assumir seus conflitos, lidar com seus fantasmas, assumir os seus desejos e lidar com seu prazer sem culpas. A pulsão de vida é fundamental para que as pessoas construam sua vida de uma forma realmente saudável.

Você vivenciou esses dois momentos?

Sim, eu tinha uma agressividade que, muitas vezes, se expressava de maneira destrutiva. Eu era contra tudo e contra todos. Complexado, revoltado, achava que Deus não existia porque me deixou órfão de pai tendo que conviver com inúmeras madrastas. Eu saía para a rua com 14, 15 anos para brigar. Depois que eu conheci essas metodologias pude elaborar e ressignificar minha posição diante da vida e assim canalizar minha energia de forma construtiva.

Não por acaso o livro que você prefaciou de André Lapierre, Da Psicomotricidade Relacional à Análise Corporal da Relação, tem um iceberg na capa, certo?

Sim, todos somos vulneráveis e todos apresentamos só uma pequena parte do que trazemos como história de vida. A grande parte das respostas está no infantil que há em nós, nos excessos e nas faltas que vivenciamos. Quantas pessoas você conhece que são superboazinhas, que fazem tudo para agradar a todos? Muitas vezes elas têm um desejo de reconhecimento que vem lá de trás. Talvez o desejo de ser vista e admirada, por exemplo, por um pai que só sabia criticá-la.

A terapia busca conhecer um pouco mais desse mundo submerso?

Na verdade esse “mundo submerso” está presente em todos os momentos, nós é que não sabemos percebê-lo.  A terapia tem esse objetivo, sim, qual seja, de tornar consciente para o sujeito os processos inconscientes dos quais ele é refém.

Para finalizar, qual é o seu superpoder?

Acho que meu poder é o de amar incondicionalmente. Eu me enlaço com meu trabalho de uma forma afetiva e ele passa a ter um significado para mim e para o próximo. Nas minhas intervenções há uma ressonância afetiva baseada numa comunicação autêntica. Assim minhas ações tocam o outro e o ajudam a ressignificar suas questões e a ter um novo registro, mais saudável, mais harmônico. Porém, é importante ressaltar que não se trata de uma técnica.  A intervenção é profissional e controlada, mas possui uma carga tônico-afetiva na qual me engajo em função da demanda do outro. Em nossa prática, trabalhamos com nosso saber teórico, com nosso saber prático, mas principalmente com nossa sensibilidade. Enfim, ame sem culpa e sem desculpa. Quem faz isso sempre tem um superpoder.

 

A importância da psicomotricidade no desenvolvimento global da criança

A importância da psicomotricidade no desenvolvimento global da criança

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Para Maria Helena Sampaio D’Ancora, mãe de Pedro, 7 anos de idade, e de Luca, 13, a prática da psicomotricidade no Colégio São Luís foi fundamental para que seus filhos desenvolvessem a coordenação motora. “As aulas de psicomotricidade ajudam em muito nas habilidades que envolvem o corpo”. Os filhos de Maria Helena praticam a atividade no “Espaço e Movimento”, exclusivo para o trabalho de psicomotricidade e percepção, destinado a alunos do Ensino Infantil ao 1º ano do Ensino Fundamental e inaugurado em 2011.

Ainda segundo Maria Helena, Luca aproveitou bastante o espaço, por volta de uns três anos, “então, sentimos mais a evolução, sobretudo, de equilíbrio do corpo e na lateralidade, que é o reconhecimento do lado esquerdo e direito de si mesmo, no outro e no espaço. Também uma evolução na melhora do esquema imagem corporal, quer dizer, no modo como a pessoa enxerga o próprio corpo e o corpo do outro”.

Já Pedro iniciou psicomotricidade este ano na escola. “Acho essas atividades fundamentais porque caso haja algum problema de coordenação motora após adulto, muitas vezes, é tarde para correr atrás de um profissional e corrigir.”

A professora do Ensino Infantil do Colégio São Luís, Carla Taranta Tezolin Barion, explica que na educação infantil a criança explora seu mundo por meio do corpo, experimentando sensações e situações, percebendo-se e notando o que está ao seu redor. “Esse período tem uma importância essencial na estruturação do desenvolvimento psicomotor – pré-requisito fundamental para novas aprendizagens, como a leitura e escrita”. Segundo a professora, a psicomotricidade é um instrumento de fortalecimento da criança, uma vez que atua na tonicidade, equilíbrio, estruturação do espaço temporal, esquema e imagem corporal, vivencia de noções espaciais e temporais e percepção de todas as partes do corpo, com ênfase nos órgãos dos sentidos.

Essas atividades também auxiliam, conforme diz Carla, na coordenação motora global (habilidade desempenhada com o corpo todo, buscando harmonia e controle de movimentos amplos) e especifica ou fina (destreza para executar movimentos pequenos com os dedos das mãos e dos pés, de força mínima, mas precisos), que ajuda no desenvolvimento da aprendizagem.

Com 200 m², o ‘Espaço e Movimento’ tem equipamentos adequados para fins educacionais e motores, que auxiliam no desenvolvimento global da criança. Um dos equipamentos, o túnel sensorial, possibilita às crianças testarem suas percepções de tato, olfato, visão e paladar. Dentro do túnel, uma lousa é usada para desenhos gráficos; e um tecido permite às crianças verem o contorno do próprio corpo e fazer jogos de sombra. Ainda tem o grande circuito e campo de futebol, espaços que possibilitam aos alunos explorarem o corpo por meio de atividades, como correr, pular, rolar, equilibrar, distanciar, cair, entrar e sair, subir e descer, sentir, tocar, ouvir. No circuito Olímpico, as crianças podem saltar, dar cambalhotas e rolar. Entre os demais brinquedos estão cama elástica e parede de escalada.

As informações e opiniões expressas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fonte: http://educacao.estadao.com.br/

Brincadeira é coisa séria

Brincadeira é coisa séria

Com a Psicomotricidade Relacional a criança consegue revelar o que se passa em seu mundo interior

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O mundo está caminhando numa velocidade insana e muitas vezes os primeiros afetados por tanta correria são as crianças. É comum percebermos que estão agitadas, agressivas, inibidas, dependentes ao extremo ou sem limites. Muitas vezes percebemos que estão com a autoestima baixa, com medos e inseguranças, que certamente comprometem o aprendizado na escola e principalmente o convívio social. Mas como conseguir que uma criança pare, como despertar nela o desejo de aprender, a concentração ou mesmo a superação de desafios?

Uma das respostas que tem se mostrado mais eficazes vem sendo a Psicomotricidade Relacional, metodologia criada pelos franceses André e Anne Lapierre, que em Curitiba e em Fortaleza conta com um centro de referência, o CIAR, sob a direção geral do Prof. Dr. Leopoldo Vieira. Trata-se de uma prática preventiva e terapêutica, que permite que crianças e adolescentes expressem seus conflitos e supere-os, pela via do brincar espontâneo e do jogo simbólico. O sucesso do método está no fato de que a criança e o adolescente conseguem contar de si e expressar de modo espontâneo o que se passa em seu interior, por meio do jogo e do movimento, tendo o psicomotricista relacional como seu parceiro simbólico. “Elas expressam seus desejos e dificuldades e conseguem elaborar suas questões por meio dessa prática que prioriza a linguagem infraverbal e foca, acima de tudo, as suas potencialidades”, explica Leopoldo.bricadeira-e-coisa-seria-03

O método oportuniza os estímulos necessários para que as dificuldades comportamentais, sociais, cognitivas, psicomotoras e emocionais sejam elaboradas, incentivando o aprendizado, a criatividade, a concentração, a elevação da autoestima e a aceitação de limites e frustrações. “Após perceber seu potencial, a criança tem os elementos necessários para superar suas dificuldades e para buscar, com autonomia, uma vida mais equilibrada e feliz”, destaca.

COMO FUNCIONA?

São realizadas sessões semanais com uma hora de duração, individuais ou em grupo, respeitando-se as faixas etárias. Nessas sessões profissionais especializados intervém de forma lúdica priorizando o brincar simbólico, o movimento espontâneo e a linguagem tônica para que a criança e o adolescente possam falar de si, contatar com seu desejo, elaborar conflitos e desenvolver-se na busca de uma vida melhor e mais saudável. São realizadas orientações aos pais, reuniões nas escolas e com outros profissionais envolvidos.

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1. COMPORTAMENTO

Ajusta positivamente a agressividade, inibição, falta de limites, baixa tolerância à frustração, hiperatividade.

2. APRENDIZAGEM

Desperta o desejo para aprender; eleva o rendimento escolar; minimiza as dificuldades de expressão motora, verbal ou gráfica; melhora a orientação espaço-temporal, aumenta a capacidade de assimilar novos conteúdos; reduz distúrbios de atenção; desenvolve o potencial criativo, entre outros.

3. SOCIALIZAÇÃO

Facilita a integração em grupos sociais, potencializa o desejo de participar de atividades grupais e eleva a capacidade para enfrentar situações novas.

Fonte: revistaviver.com.br
Fotos: divulgação Ciar

Estimular a psicomotricidade da criança

Estimular a psicomotricidade da criança

O Estimulo da psicomotricidade na criança

O bebê começa por perceber o mundo através do seu próprio corpo. As sensações de satisfação e de insatisfação, a dor, sensações visuais, auditivas, permitem-lhe situar-se no mundo e interagir com ele.

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A psicomotricidade utiliza o corpo em movimento, como meio de relação da criança consigo própria, com o terapeuta e, também com o espaço, o tempo e os objetos.

Durante a primeira infância, há o predomínio da exploração através dos sentidos. Neste estágio, revela-se muito importante a valorização das ações da criança e o incentivo à exploração de todas as formas possíveis de expressão, expressão motora, gráfica, verbal, sonora, plástica, etc.

Para que serve o treino de psicomotricidade?

A intervenção ao nível da psicomotricidade pode também ser usada na sua vertente preventiva. Há a intenção de promover e estimular o desenvolvimento, incluindo a melhoria/manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida de um indivíduo.

Durante a infância, uma intervenção ao nível da psicomotricidade vai potencializar o desenvolvimento da função simbólica; das habilidades corporais como o equilíbrio, coordenação, orientação espacial e temporal. Para além disso, estimula a um melhor entendimento sobre si mesma e, por consequência, uma melhor compreensão em relação às outras pessoas e ao seu ambiente/envolvimento.

Como estimular a psicomotricidade?

A psicomotricidade estimula-se através de jogos como por exemplo jogos funcionais ou motores, cuja função é dar harmonia aos gestos e aumentar a sua eficácia;

Pode também recorrer-se a jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor para o nível da representação;

Por seu turno, os jogos de construção, permitem uma evolução mais rápida para uma adaptação mais precisa à realidade;

Os jogos com regras, facilitam o desenvolvimento da cooperação.

Texto: Teresa Paula Marques
Fonte Site: Psicologia do Brasil

Brincar é estruturante

Brincar é estruturante

A ocupação preferida das crianças é a brincadeira e os jogos, já nos dizia Freud em 1907.

É através do brincar ou das brincadeiras que elas exploram o mundo e também podem se “apropriar” da realidade e dessa forma transformá-la.

Enquanto brinca a criança se diverte, aprende, se desenvolve orgânico e psiquicamente. Primeiro brinca com sua mãe (quando esta brinca com ela), e nesse momento existe “um playground” entre os dois, como bem situou Winnicott, depois ela brinca com seu corpo e posteriormente com seus colegas de jogos.

brincar é estruturante

Também é através dos jogos e brincadeiras que as crianças mostram seu desejo de crescer. Não é por acaso, que brincam de serem adultos (fingem que são os pais, os professores, etc.).

A criança é um sujeito em constituição e ela se desenvolve através da mediação com o Outro, e o brincar é um meio. Pois através dele, ela imagina, cria de acordo com seu mundo interno, de acordo com suas fantasias, seus medos e desejos.

Ela se comunica e nos transmite uma mensagem, simboliza o mundo real e isso é fundamental para o desenvolvimento de sua subjetividade, pois ela pode viver ativamente aquilo que outrora viveu passivamente.

Por exemplo, quando elas levam uma bronca ou quando tem que tomar uma injeção, brincam, encenam que são elas as que estão na posição ativa e dão bronca ou tratam e cuidam de seus bonecos. Como se elas fossem os adultos.

Nesse momento elas passam de uma posição de assujeitamento a uma posição de sujeito da ação. Aqui elas experimentam serem as detentoras da situação em vez de estarem assujeitadas ao outro.

Na análise vimos claramente isso acontecer, quando a criança nos mostra, nos ‘dizem’ com o jogo ou a brincadeira aquilo que a está angustiando, seus medos, seus fantasmas e assim podem simbolizar algo que viveu ou está vivendo e está sendo difícil.

 

Através do brincar ela se distancia de um real angustiante ou até aterrorizante, e quando faz isso, se alivia. Quando encena jogo com monstros, guerras, luta do bem contra o mal, ela representa suas pulsões destrutivas em vez de bater, brigar, machucar o outro, ou se machucar.

É a forma com a qual ela pode ‘dominar’ uma realidade ruim.

O brincar é tão importante que o sujeito não o abandona, apenas o substitui. Quando cresce, “brinca” com suas fantasias.

E quando brincar não é possível por conta dos acúmulos de tarefas ou horas paradas diante da tv ou de jogos eletrônicos, temos um problema. Pois a criança perderá a oportunidade de elaborar um real angustiante ou ameaçador e ficará muito tempo na posição passiva diante do Outro. Quer seja: adultos, tv, qualquer outro que a impossibilite de exercitar, de criar e transformar algo.

Perguntaram para uma criança porque era tão importante para ela brincar. “Porque quando a gente não pode fazer alguma coisa, a gente brinca que pode “.

 

E quando as crianças não podem colocar em palavras ou nas brincadeiras e jogos, aquilo que querem ou sentem, mostram esse mal-estar no corpo através das doenças e sintomas.

Fonte: Blog da Escuta
Matéria: Andreneide Dantas